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sábado, 13 de março de 2010

UMA FORÇA QUE MUITOS DESCONHECEM

Não sei se por excesso de desconhecimento ou por "malandragem", de muitas empresas que são obrigadas por lei à cumprirem cotas de emprego para Pessoas com Deficiência, as pessoas desconhecem a enormidade de profissões que nós "deficientes" exercemos. Nesta mesma situação, tem as cotas para negros nas universidades e, profissionalmente, não muda muita coisa.

E com isso, começam a limitar e a direcionar o que ou quais profissões podemos exercer, gente, acorda! Vamos "viver a vida" (essa foi boa, heim?), vamos atrás de trabalho, vamos nos capacitar, vamos exigir dos governos que falem menos e façam mais pela Inclusão Social e Profissional.

Eu conheço e já ouvi falar de "deficientes" trabalhando e exercendo diversas profissões, me dou o direito de citar a minha, sou Médico Veterinário e trabalho com vacas e bois, lá no campo, nos currais, nas pastagens e no escritório também, e, sou um tetraplégico. Ainda tem: Agrônomos, Zootecnistas, Advogados, Médicos, Dentistas, Contabilistas, Arquitetos, Engenheiros, Jornalistas, Professores, Psicólogos, Enfermeiros, Analistas de Sistemas, Economistas, esses e tantos outros com diversas deficiências tiveram a sorte de se formarem antes de uma lesão, mas, tem tantas outras que não deram essa sorte, porém, foram atrás do sonho e realizaram, mesmo sendo uma Pessoa com Deficiência. Agora ..... se formos contar as diversas profissões exercidas que não necessitam de "Diploma", a população irá se assustar.

Da mesma forma, a sociedade atrelada a valores culturais centenários, fizeram e fazem até os dias atuais a mesma discriminação com: os negros, com as mulheres, com os pobres, etc. Só que hoje em dia, devido às leis criadas pelo homem, as formas de discriminação são menos agressivas “publicamente”, mas, não menos latente e, tampouco, menos dolorosas para quem é discriminado.

Portanto, dêem oportunidades aos "deficientes", aos negros, às mulheres e vocês vão se surpreender, muitos precisam trabalhar sim e, acabam se sujeitando a qualquer emprego, por conta da necessidade, como acontece muito com pessoas "normais" que tem até diploma.

Não basta as empresas oferecerem empregos por força da lei, abram as vagas e as cabeças, descubram Pessoas com Deficiência, negros, etc, com dons e capacidades impressionantes, e, o mais importante, em qualquer profissão e em qualquer cargo.

Nós queremos e precisamos trabalhar sim, mas, queremos trabalho digno, compatível com nossas capacidades e limitações físicas e, principalmente, com uma remuneração honesta.

Aos "deficientes", aos negros, às mulheres, etc, digo o seguinte: SAIAM ÀS RUAS, MOSTREM A CARA, LUTEM POR UM MUNDO MELHOR E COM IGUALDADE. Não vamos ficar parados dependendo da justiça e esperando os governantes e os políticos fazerem algo, afinal, muito tempo já se passou, a justiça não tem sido justa e os governantes e políticos nada ou muito pouco fizeram, e, nós estamos deixando esse mesmo tempo passar também.

É difícil? É sim. Só que, ninguém, mas, ninguém tem o poder de superação que nós, Pessoas com Deficiência, a quem carinhosamente e bem humorado, eu denomino de "malacabados", tem. A nossa luta pela vida, pelos filhos, pela família é tão intensa, por que então não lutarmos pelo trabalho? Os números não mentem à nosso respeito, somos uma enorme população dentro da população desse Estado, afinal, são mais de 300.000 pessoas com algum tipo de deficiência (IBGE-2000).

Não somos os únicos a sentir o gosto amargo da discriminação, somam-se a nós: os negros, as mulheres e até os honestos, vejam o tamanho dessa população. No entanto, não vemos negros elegerem negros, não vemos mulheres elegerem mulheres e, da mesma forma, não vemos pessoas com deficiência elegerem pessoas com deficiência. Isto é fato. E aí? Vamos lutar por cotas nas Assembleias e Câmaras? Onde todas deverão ter 10% de “deficientes”, 20% de negros, 30% de mulheres, etc... Seria uma ótima ideia, mas, ainda muito utópica para o nosso sistema eleitoral atual.

Vamos repensar os conceitos de classes, vamos analisar com frieza e responsabilidade quem é que devemos eleger à um cargo no Poder Público, quem é realmente que vai defender e olhar pelas nossas classes e nossas causas. Será que temos menos capacidade de produzir?

Não! O que não temos é vontade de nos unir e, por consequência, temos preguiça, somos acomodados. No fundo, acho até, que gostamos de ver políticos poderosos e corruptos. Chega, né?!

Já imaginaram o tamanho da nossa força e, mais ainda, do poder e da responsabilidade que podemos assumir com os nossos?

Pensem...

Ainda temos tempo, às eleições são em outubro. Renovação, é nossa única arma contra a corrupção e a falta de vergonha que assolam a grande maioria dos políticos.

Por Adriano Garcia

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Série Superação: Este cadeirante deu a volta por cima

Fabiano Puhlmann, 43 anos, psicólogo e autor do livro A Revolução Sexual sobre Rodas - tetraplégico

O acidente

"Quebrei o pescoço duas vezes. No primeiro acidente, tinha 17 anos. Corri para mergulhar na piscina e escorreguei antes de saltar. Bati a cabeça no fundo e perdi os movimentos. Via o sangue saindo da cabeça e tentava me mexer, mas não conseguia. O segundo ocorreu em 2006. Lesei a medula no mesmo lugar ao cair da bicicleta."

A recuperação

"Depois do trauma, vem a negação. A realidade é insuportável. Tão insuportável que você quer mudá-la. A esperança [de voltar a andar] é uma forma de negação. Guardei minha prancha por dois anos após o primeiro acidente, achando que voltaria a surfar. Para mim, o trauma não atingiu o corpo. Atingiu a alma."

A volta por cima

"É possível manter um relacionamento após a lesão. Sou casado há 12 anos. A primeira coisa que eu quis fazer depois do segundo acidente foi transar. Minha mulher achou que eu estivesse doente e disse que era louco. Falei: 'Não estou doente, não, vamos transar e é já!' (risos). Eu queria me sentir íntimo dela de novo. Sexo é intimidade."